domingo, 21 de fevereiro de 2016

Edição zero

Quem será o primeiro? Ou quem serão os primeiros? Vão usar o bagageiro?
Mas como, afinal, funciona esse aplicativo? Ela apita, sai gritando, falará comigo? E ele vai dar o caminho para eu chegar até o passageiro?
Por favor, a única coisa que eu peço é que seja uma corrida fácil e rápida. Nem que dure um quarteirão, que eu não ganhe nada. Só quero ver como funciona o aplicativo, só quero saber como eu vou me comportar como motorista.
Claro que eu já fui motoristas em inúmeras vezes. Mas sempre levando amigos, conhecidos, colegas de trabalho, dando carona para amigas... Já levei uma pessoa, duas e já enchi o carro com mais gente do que o permitido. Já comi dentro do carro, transei, caiu refrigerante, dormi,  babei! Mas agora levar estranhos e ainda ser pago para isso?
Espero que o carro corresponda. Ele está inteiro, eu sei, mas são muitas ansiedades ao mesmo tempo.
Então, está resolvido. Será nesse sábado, dia 20 de fevereiro. Vou aproveitar que tenho que entregar um pacote para uma amiga. Sairei da zona norte para a zona sul e ver no que dá.
Antes eu só preciso fazer o estômago entender que eu vou sair de casa de qualquer jeito. Cara, é o terceiro piriri na última hora. E para piorar, ainda veio o quarto e depois do banho. Uma das coisas mais irritantes é piriri depois do banho. Essas coisas tinham que ser proibidas por lei divina, não é possível que ninguém pensou nisso antes.
Até culpo a salada da noite anterior pelo serviço no banheiro, mas ao me dar contar sentado no buraco que aquilo não tem nada a ver com alface. Tem a ver com ansiedade, medo!
Então, levanta essa bunda (desculpa, essa foi literal!) e vai para a luta. Afinal, a ideia de entrar na Uber foi minha, a iniciativa foi minha. Então, não tem ninguém te cobrando para isso. Vai descobrir esse novo mundo, mas agora não mais como passageiro, como motorista. Não mais como a pedra, mas como a vidraça. Agora você estará sob julgamento seja lá quem for. E o estômago vai ter que entender que isso vai acontecer. Com ele querendo funcionar ou não!
Entro no carro, ligo o ar e paro no posto de gasolina. Compro água, uma coca e balas. Ao menos lembrei de dar ímãs com imagens de São Paulo feito pela minha mulher como brinde.
Então, preencho o que ainda falta, tento fazer uma foto digna para aparecer para o passageiro. Três tentativas e nenhuma agrada. O estômago resolver conversar comigo. Vou na quarta foto mesmo, finjo que não ouço o estômago, ligo o carro e #partiu!

A partir de agora eu sou oficialmente um Uber. Bem-vindo ao novo mundo! Você também estômago!

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